Saio de casa a correr, com uma maçã para trincar, desço as escadas do metropolitano e agradeço-me mentalmente por ter optado pelo conforto da sola de borracha, em detrimento da elegância da gáspia. É que a borracha adere melhor. Entro na carruagem mais próxima do sitio em que me encontro. Até sair são quatro paragens, trago companhia, uma seleção de música entre o funcky e o jazz, escolhida por um antigo colega e amigo, que não vejo há meses e de quem tenho saudades...a ver se lhe ligo, anoto mentalmente.
Saio na próxima, olho para o relógio e penso: tenho que ser eficaz, afinal corri tanto, e ainda tenho que contar com o tempo do elevador, nisto a maçã torna-se levemente ácida e amarga, trinquei uma das sementes.
As portas abrem-se, corro para a saída, apressada, tenho um quarteirão para andar ainda, passo largo, a respiração torna-se mais acelerada, estou habituada, faço isto todos os dias. Deito a maçã e o guardanapo no lixo e continuo, desvio-me do sentido contrário. Olho para o relógio, assim, ainda chego a tempo de apanhar o próximo elevador, apresso o passo, estou quase lá.
Entro, digo bom dia aos porteiros, viro no final do corredor e sigo para a esquerda, volto a olhar para o relógio e ...o corredor está em limpeza, tenho que desviar para o da direita, a volta é maior, as pessoas atrás fazem o mesmo, volto a olhar para o relógio, e fico com a certeza que já não apanho este..ainda corro, mas já só vejo as portas a fechar...olho e espero que o painel atualize o horário do próximo elevador...ainda faço contas: 4 minutos e 54 segundos para subir, 3 minuto s e 25 segundos para descer...o painel soa e vejo então que o próximo elevador volta a subir às 8h12 minutos, vou picar a vermelho outra vez, amanhã saio sem tomar café, nota mental para mim.
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